
A las cinco de la tarde de uma segunda-feira ensolarada (há um tempo atrás) foi quando conheci o trabalho de um dos poetas mais fascinantes de todos os tempos. E hoje, como sua fã, acabo de ler "Romancero gitano" (finalmente). Por que Federico García Lorca é meu guti guti da poesia? Em primeiro lugar, ele tem sangue andaluz e eu sou apaixonada por música flamenca. Inclusive leio seus poemas com trilha sonora de Paco, sempre :). Outra coisa é que, como bom geminiano, ele tem o dom da palavra- aquela palavra que marca, que fica, que traduz. (Deixando bem claro que existe o gêmeo bom e o gêmeo mal. Este último usa seu dom pra fazer fofoca e propagar informações inúteis que não me interessam. Já o gêmeo bom, possui, além de talento com as palavras, uma sensibilidade artística, como no caso de Chico Buarque, Flávio José, Fernando Pessoa e outros). E por último, eu prefiro ler em espanhol do que em qualquer outro idioma. Não é por isso, contudo, que não deva apreciar poetas brasileiros, muito pelo contrário. Eu podia escrever muitas linhas falando sobre a poesia no Brasil- que na minha opinião é de excelente qualidade, em todos os estilos. Mas essa postagem é dedicada à minha babação por García Lorca e punto. Mas já que toquei no assunto, nada me impede de comentar que Augusto dos Anjos sempre foi meu preferido da língua portuguesa, sobretudo porque ele escrevia sonetos- e eu adoro soneto. Acho inclusive difícil escrevê-lo (o clássico italiano), por isso aprecio muito quem o faz. García Lorca não tinha predileção pelo soneto clássico, mas me lembro de vários. Eis um dos mais conhecidos (talvez) e também é um dos meus preferidos:
EL POETA PIDE A SU AMOR QUE LE ESCRIBA
Amor de mis entrañas, viva muerte,
en vano espero tu palabra escrita
y pienso, con la flor que se marchita,
que si vivo sin mí quiero perderte.
El aire es inmortal. La piedra inerte
ni conoce la sombra ni la evita.
Corazón interior no necesita
la miel helada que la luna vierte.
Pero yo te sufrí. Rasgué mis venas,
tigre y paloma, sobre tu cintura
en duelo de mordiscos y azucenas.
Llena pues de palabras mi locura
o déjame vivir en mi serena
noche del alma para siempre oscura.
É impossível escolher o melhor ou os melhores poemas dele, pois são todos muito bem escritos. Mas este, por ser um soneto, chamou minha atenção. E sim, comecei a escrever alguns sonetos (sempre começo e nunca termino). Assim que terminar algum, publicá-lo-ei. Só não sei quando, rs.
"A las cinco de la tarde" é o primeiro verso de "La cogida y la muerte".
ué, publica sem terminar, oras... já incorporei essa característica ao teu estilo! :P
ResponderExcluirserão sonetos preguiçosos, lacônicos, mas ainda sonetos (se ele se identifica como tal, se tem alma de soneto mas nasceu em corpo de quadra, a gente tem que aceitá-lo como ele é)!!!
[risos de seriado americano] Ora ora, Gabi, soneto não é historinha que a gente pode enrolar dividindo em "capítulos". Soneto incompleto fica esteticamente feio e sem sentido. Vou terminá-los, aguarde. :*
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