
Esses dias que passei no Rio, pensei que poderia me inspirar com tanta beleza e escrever algum poema, talvez. Levei até meu caderninho vermelho com alguns escritos e ensaiei um soneto sobre a "dualidade de Arlequim- servidor de dois amos" mas achei fraco demais e não terminei. Pra falar a verdade, eu estava apaixonada demais pra me inspirar, uma vez que só o humor me inspira (e não o amor). E de tanto beber caipirinha, eu poderia escrever algo sobre, mas passando o olho pelo meu blog, vi que esse assunto já deu. Diante desta situação de branco total- e olhando para a máscara de carnaval pendurada na parede do meu quarto- para não deixar de escrever, deixo aqui o fragmento de um belo poema lírico de Menotti:
As Máscaras
O teu beijo é tão doce, Arlequim...
O teu sonho é tão manso, Pierrô...
Pudesse eu repartir-me
encontrar minha calma
dando a Arlequim meu corpo...
e a Pierrô, minha alma!
Quando tenho Arlequim,
quero Pierrô tristonho,
pois um dá-me prazer,
o outro dá-me o sonho!
Nessa duplicidade o amor todo se encerra:
Um me fala do céu...outro fala da terra!
Eu amo, porque amar é variar
e , em verdade, toda razão do amor
está na variedade...
Penso que morreria o desejo da gente
se Arlequim e Pierrô fossem um ser somente.
Porque a história do amor
só pode se escrever assim:
Um sonho de Pierrô
E um beijo de Arlequim!
Nenhum comentário:
Postar um comentário