quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Em qualquer terra que os homens amem. Em qualquer tempo onde os homens sonhem. Na vida.


Esses dias que passei no Rio, pensei que poderia me inspirar com tanta beleza e escrever algum poema, talvez. Levei até meu caderninho vermelho com alguns escritos e ensaiei um soneto sobre a "dualidade de Arlequim- servidor de dois amos" mas achei fraco demais e não terminei. Pra falar a verdade, eu estava apaixonada demais pra me inspirar, uma vez que só o humor me inspira (e não o amor). E de tanto beber caipirinha, eu poderia escrever algo sobre, mas passando o olho pelo meu blog, vi que esse assunto já deu. Diante desta situação de branco total- e olhando para a máscara de carnaval pendurada na parede do meu quarto- para não deixar de escrever, deixo aqui o fragmento de um belo poema lírico de Menotti:

As Máscaras

O teu beijo é tão doce, Arlequim...
O teu sonho é tão manso, Pierrô...

Pudesse eu repartir-me
encontrar minha calma
dando a Arlequim meu corpo...
e a Pierrô, minha alma!

Quando tenho Arlequim,
quero Pierrô tristonho,
pois um dá-me prazer,
o outro dá-me o sonho!

Nessa duplicidade o amor todo se encerra:
Um me fala do céu...outro fala da terra!

Eu amo, porque amar é variar
e , em verdade, toda razão do amor
está na variedade...

Penso que morreria o desejo da gente
se Arlequim e Pierrô fossem um ser somente.

Porque a história do amor
só pode se escrever assim:
Um sonho de Pierrô
E um beijo de Arlequim!

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